STF confirma poder de investigação criminal do Ministério Público

Por padraoagenciadigital@gmail.com

Compartilhar

Para grupo de ministros, órgão só poderia atuar em situações excepcionais

O Supremo Tribunal Federal deu aval nesta quinta-feira (14) ao poder de investigação criminal por parte do Ministério Público. Ao decidir sobre um recurso de um prefeito de Ipanema (MG) que questionava a possibilidade de o órgão realizar apurações independentemente da polícia, o STF, por maioria de 7 votos a 4, entendeu que esse poder não contraria a Constituição.

 

Embora proferido num caso específico, o entendimento servirá de orientação para demais processos semelhantes que tramitam em tribunais inferiores.

 

Os ministros deixaram claro que, assim como nas investigações da polícia, aquelas feitas pelo MP também deverão garantir à defesa acesso às provas produzidas contra o investigado e garantir a ele direito de ficar calado e assistência de advogados durante depoimentos.

 

O MP, no entanto, não poderá fazer alguns atos próprios da polícia – e somente autorizados pela Justiça –, como executar mandados de busca domiciliar, fazer interceptação telefônica e conduzir coercitivamente pessoa sob investigação.

 

Em 2012, o relator, ministro Cezar Peluso votou no sentido de limitar a investigação do MP a casos excepcionais – quando, por exemplo, policiais ou membros do MP estiverem envolvidos no delito ou quando a polícia deixar de abrir inquérito.

 

Ele foi acompanhado à época por Ricardo Lewandowski e, nesta quinta (14), também por Dias Toffoli. Também votaram a favor do poder investigatório do MP os ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello, Joaquim Barbosa, Luiz Fux e Ayres Britto. Nesta quinta, Rosa Weber e Cármen Lúcia aderiram a essa posição.

 

Na retomada do julgamento nesta quinta, Marco Aurélio Mello votou contra a investigação do MP em qualquer situação. Em seu voto, sustentou que o MP pode somente fiscalizar as diligências da polícia, exercendo o controle sobre a legalidade de suas atividades.

 

“Legitimar a investigação por parte do titular da ação penal é inverter a ordem natural das coisas. Quem surge como responsável pelo controle não pode exercer atividade controlada. O desenho constitucional relativo ao Ministério Público na seara penal pauta-se na atividade de controle externo da polícia. Deve ser tutor das garantias constitucionais”, disse Marco Aurélio.

 

Rosa Weber, por sua vez, entendeu que, a exemplo da investigação realizada por outros órgãos – como em crimes, pela Receita; em crimes financeiros, pelo Banco Central; ou em crimes contra a administração realizadas, pela Controladoria Geral da União (CGU) ou pelo Tribunal de Contas da União (TCU) – o MP também poderia fazer as apurações em crimes comuns.

 

A ministra, no entanto, ressaltou que eventuais erros e abusos deverão ser corrigidos pelo Judiciário. “Reconhecer o poder de investigação do Ministério Público em nada afeta as atribuições da polícia e não representa qualquer diminuição do papel relevantíssimo por ela conduzida. As melhores investigações decorrem de atuação conjunta, um contribuindo para atividade do outro”, afirmou Rosa Weber.

Ao final do julgamento, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que chefia o Ministério Público no país, ressaltou que os dois órgãos devem atuar de modo “cooperado”. “Não se quer aqui estabelecer cisão entre Ministério Público de um lado e polícia de outro. O que se quer é a cooperação de ambos. Não se trata aqui de estabelecer o trabalho de um contra o do outro”, afirmou.

 

À noite, Janot comemorou a decisão em evento da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Em discurso, disse que foi uma “vitória justa e histórica” do órgão.

 

“É dia de festa para o Ministerio Público Federal e para o MP brasileiro porque hoje conseguimos alcançar uma situação que buscamos há mais de 10 anos. (…) Uma peleja que se arrastava há mais de dez anos, e nesse período, aguardávamos ansiosos para o bem, não de um interesse corporativo, mas da sociedade como um todo. Essa vitória justa e histórica ocorre quase 27 anos após a promulgação da constituição e assegura ao MP o cumprimento de sua árdua missão constitucional.”

 

G1

 

jusocial.com.br/
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

 

 

Veja também

Adolescente “dá grau” e ainda bate em viatura policial de MG; ignorância audaciosa

(MG) Jovem de 17 anos foi flagrado empinando motocicleta e tentou fugir

Murillo Ribeiro entra para a Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as

Thiago Costa é aprovado, pela 2ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as

Ministério Público de Alagoas flagra inquéritos parados, falta de efetivo e até pragas em delegacia

(AL)Fiscalização no 22º Distrito Policial revela inquéritos parados, apenas 7 policiais no

Vilma Alves: a vida da primeira delegada negra do Piauí

(PI) Conheça a história de pioneirismo da policial que comandou Delegacia da

Mãe de morto ao tentar roubar delegado diz que perdeu filho para ostentação

(SP) Suspeito de tentar roubar um delegado e uma agente da Polícia

Campanha nacional amplia coleta de DNA para encontrar desaparecidos

Mobilização terá 342 postos de coleta em todo o país e busca

STF restringe porte de arma na Polícia Científica do Espírito Santo

A análise da matéria ocorreu no âmbito de uma ação apresentada pela

Polícia Civil de Alagoas e Seplag convocam novos delegados para exame admissional

(AL) Candidatos nomeados devem comparecer à sede da Perícia Médica nesta terça-feira

Segurança preso foi depor em delegacia pedalando bicicleta da vítima no Rio

"Abuso da audácia da sensação de impunidade"

TRE-SP rejeita recurso e mantém Pablo Marçal inelegível

Presidente do tribunal paulista também manteve multa de R$420 mil; Marçal foi

Economia brasileira: projeções para 2026 e além revelam cenário de moderação e otimismo pontual

O Ministério da Fazenda mantém a meta de crescimento em 2,3%, apoiado