BC corta Selic para 14% ao ano e deixa “porta aberta” para próxima reunião

Resultado já era amplamente esperado pelo mercado e marca a quarta redução seguida de 0,25 ponto na taxa básica

Por Marcos Pacheco

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O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) reduziu os juros em 0,25 ponto, trazendo a Selic para 14% ao ano, segundo decisão publicada nesta quarta-feira (5).

A decisão foi tomada de forma unânime pela cúpula da autoridade monetária.

O resultado já era amplamente esperado pelo mercado e marca a quarta redução seguida na taxa básica. O atual ciclo de arrefecimento foi deflagrado em março deste ano, quando a Selic passou de 15% – patamar mantido desde junho de 2025 – para 14,75%.

Em seu comunicado, o Banco Central citou que a magnitude total do ciclo de calibração da Selic será estabelecida “à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.

Diante do peso da inflação para o Comitê, a cúpula do BC reforçou em seu comunicado os riscos relacionados aos preços, classificando-os como “mais elevados que o usual, com assimetria altista”.

Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, o colegiado destacou impactos que podem ser causados pelo El Nino e pela disparada do petróleo, com choques na oferta de energia.

O BC também citou como um fator de risco os estímulos à demanda, em particular ao componente de consumo.

Segundo o comunicado, medidas que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, acabam por enfraquecer parte dos canais usuais de transmissão da política monetária.

“O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, diz a nota da autoridade monetária.

O Banco Central conclui a nota com um tom mais uma vez de cautela e diz que o cenário atual é caracterizado por “significativo aumento da incerteza”. Sendo assim, demanda “serenidade e cautela na condução da política monetária”.

Prévia da inflação abriu brecha para corte

Segundo as Opções do Copom da B3 – contratos derivativos listados na bolsa que permitem negociar a variação da Taxa Selic – o mercado passou a ver mais um corte na Selic no encontro do Copom entre os dias 15 e 16 de setembro.

Olhando os números, se percebe que essa mudança de percepção se deu no dia 28 de julho, mesmo dia que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a prévia da inflação do mês havia sido de alta marginal de 0,06% – bastante abaixo do esperado pelo mercado.

Em 12 meses, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15) foi de 4,52% – beirando a banda mais alta do limite da meta.

O BC persegue inflação com meta de 3%, com margem de 1,5 ponto para cima ou para baixo (1,5% – 4,5%).

A quase manutenção da inflação de um mês para o outro mostrou que de fato o peso dos juros está se fazendo presente na inflação, ou seja, há uma janela para enxergar juros menos restritivos neste ano.

Além da inflação se mostrar mais comportada, o câmbio – outra variante fundamental para a política monetária – não dá sinais de grande pressão.

Mesmo com o temor global com a guerra no Oriente Médio, o dólar não deu grandes saltos desde a última reunião do Copom, rondando o patamar de R$ 5,10.

Voltando ao Focus, o mercado enxerga o PIB (Produto Interno Bruto) mais fraco em 2026 e 2027 – horizontes que tendem a sentir o efeito defasado da política monetária restritiva.

Para o ano que vem, a previsão para o PIB está para alta de 1,57% – a segunda semana seguida de revisão para baixo. Em janeiro, a visão estava em 1,8%.

DEMOCRACIAS

 

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